quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Nem lembrava disso aqui. Li os arquivos e tinha me esquecido do que foi escrito. É bom relembrar. Acho que é uma das primeiras vezes que, meses depois de publicar os textos, eu continuo gostando cada vez mais deles.

E pensar na reviravolta que minha vida deu...

Bom, o Igual a Tudo na Vida definitivo definitivo ainda não chegou, mas o que é definitivo por enquanto tá aqui, ó: http://igualatudonavida.wordpress.com

terça-feira, 23 de março de 2010

O que eu quero de aniversário.

Todos os dias, lá pelas 6h30 da manhã, alguém abre a porta de casa e, sem fazer muito barulho, enche a cozinha com cheiro de café. Quando isso não acontece - geralmente uma vez por semana - é porque minha avó foi dormir na casa da minha prima, para ficar com os meus primos menores, de quem ela é bisavó. E esse "ficar" inclui brincadeiras que a dona Gera inventa e suas histórias - do Gregório Cherbaty, do Lili que saiu correndo pelado na rua, da berne que minha mãe pegou na cabeça, do "fofó, tá tuto errato", da venda do Seo Manoel, do maluco de sua infância em Engenheiro Schimidt, que nem existe mais. Isso, claro, além da Chapeuzinho Vermelho e todas as outras princesas que em algum momento da trama encontram Nossa Senhora. E como se não bastasse, ela satisfaz prontamente todas as vontades dos netos, principalmente as extravagâncias culinárias: pastelão, rosca, coxinha, arroz doce, pamonha, capeletti e tudo, tudo que a gente resolver comer.
Ela se preocupa com todo mundo, cuida dos irmãos, dos sobrinhos, perde o sono quando alguma coisa acontece, reza diariamente para todo mundo que ela ama. E pro Rafael crismar, parar de fumar e constituir uma família.
Minha avó é incansável. Já perdeu marido, pai, filha e mãe, teve uma criação conservadoríssima e ao longo da vida foi desafiada incontáveis vezes a abrir a cabeça. E conseguiu. Quando uma de suas netas voltou da Espanha, uma das primeiras perguntas foi "E aí, o que você tem pra me ensinar?" Nunca parou de aprender. Não escreve com tanta habilidade, mas lê jornal diariamente e sabe de tudo o que acontece por aí. E discute, debate, tenta entender. Não tem medo nem vergonha de perguntar as coisas. Conversa com várias pessoas, ouve opiniões, faz verdadeiras entrevistas. Não só fica sabendo de tudo como pega coisas no ar, lê as entrelinhas e entende o que acontece em volta. Entende bem.
Ela trabalhou a vida toda. Ainda não parou. Quase teve um treco quando minha prima disse que se ganhasse na loteria, ia parar de trabalhar. Pilotou uma cozinha durante 30 anos e outro dia me confessou que até hoje não entende como não teve nenhum problema de coração passando por tanto aperto. "Era festa que estourava, tinha dia que eu achava que o salpicão não ia dar, aí tinha que correr fazer mais." Não teve ataque nenhum porque a saúde sempre foi boa. Tirando a atrose, ainda é. Ela faz todo o serviço de casa, costura, as vezes vem ajudar a Maria com o almoço, não pode ver uma louça suja e participa de um grupo de senhoras que costuram para alguns hospitais da cidade. E faz hidroginástica. Outro dia, durante um churrasco da na casa dos meus tios, ela sumiu. Fui procurar. Lá estava ela, nos fundos, passando roupa. Mas vó! Tá todo mundo procurando a senhora! Não é hora de passar roupa, vó! Ela riu e respondeu: "Vá, é só um pouquinho! É tão bom trabalhar!" Ela me leva a crer que o segredo da longevidade era a tal da "vontade de trabalhar" que a vó Helena - a mãe dela - desejava pra gente nos aniversários.

Hoje minha avó me perguntou se eu estou animada em fazer 19 anos. Eu disse que não muito, que queria parar nos 18 que já tá bom. Ela não disse nada. As vezes ela não diz, mas pensa. Deve ter rido por dentro. Ela tem quase oitenta e dois.

(E é isso que eu quero de aniversário: ser tão incansável quanto a minha avó, porque é essa palavra que resume tudo que ela é.)

quinta-feira, 11 de março de 2010

Drama diário.

Se tem uma coisa que me deixa de-ses-pe-ra-da e irritadíssima é o calor. Tipo esse de hoje.

No calor eu não consigo dormir. Meu quarto é grande, quente, não tem ar condicionado, o ventilador é uma bosta e o vento não chega na minha cama, que fica encostada numa parede onde bate sol o dia todo. No calor eu não tenho vontade de comer, a pressão abaixa e não dá vontade de fazer absolutamente nada. E quando eu resolvo deixar a ducha na temperatura mínima - coisa que eu nunca faço -, sai água quente. Você pode falar de ar condicionado, piscina, shorts, havaianas e vestidos de verão, que são coisas que existem pra gente não passar tanto calor. Só tem um problema: as ruas ainda não têm ar condicionado, nem os ônibus da Grande Londrina. E nem as salas da UEL. E também não dá pra vestir uma piscina nem carregar na bolsa. E eu tenho usado shorts, havaianas e meus vestidos de verão nunca foram tão bem aproveitados. Agora me pergunta se eu to refrescada, pergunta! Todos os ventiladores vão ventilar o mesmo ar quente parado por aí. Grandes merda.

Dizem que o inverno deste ano vai ser muito rigoroso. Acho ótimo. Adoro frio, só acho que deveria existir uma convenção que permite que as pessoas durmam mais quando a temperatura está abaixo de 10°C. O frio é resolvido com uma imensa camada de roupas e cobertores. E ônibus lotado passa a ser mais encarável. As pessoas ficam fofas e não melequentas, dá vontade de comer até morrer e as minhas meias calças coloridas podem sair da gaveta. E também é uma delícia tomar banho quente e colocar roupas quentinhas e confortáveis. Também dá pra ir pra aula de pijama.

O pior do calor ou do frio extremo, é que não dá pra fazer nada. Você vai reclamar pra quem? Pra mulher do tempo? (Nunca conheci uma, mas é provavel que essas moças sejam paradas na rua e perguntadas sobre o tempo no próximo mês ou por que tá esse calor infernal e quando ele vai parar). Você vai reclamar pro meteorologista, pro prefeito, vai ajoelhar na rua e gritar "Deeeeeeeeeus, por que você faz isso com a gente?" Bom, dependendo da sua crença, você pode rezar. Ou fazer a dança da chuva.

Não vai adiantar. Sabe o mais legal de tudo? A coisa só vai piorar daqui pra frente.


segunda-feira, 8 de março de 2010

it's alive

E tem dias que são assim. A gente não sabe por que ou o que acontece. Dias assim custam a passar, mas passam e no fim das contas, a gente vê que eles são como aqueles bilhetes que eu esqueço propositalmente nas minhas bolsas só pra um dia encontrá-los por acaso e ficar feliz. E o recado é o seguinte: "oi, só vim pra te lembrar que você tá viva."

E a gente se sente igual uma barata tonta, fica sem saber, mas acaba descobrindo. E você só descobre depois de assistir aos filmes mais mulherzinha do mundo, de ouvir a Cat Power cantando que "once I wanted to be the greatest/ no wind or waterfall could stall me/ than came the rush of the flood/ stars of night turned deep dust" e de escutar diversas vezes a voz do Lou Reed em "Who loves the sun?" Você só descobre quando se pega revirando e-mails antigos - aqueles "com estrela" - e lê ali uma palavra que não seria tão ideal pra descrever o que você sente se tivesse aparecido umas lágrimas antes: LEVE.

É que depois de tudo, o que importa é que você ainda existe, que conseguiu se levantar de todos os tombos, que vai pelo menos tentar se lembrar de não repetir a cagada quando olhar pra cicatriz. E veja só, tá tudo ali ainda. A possibilidade de você acordar e tudo ter desaparecido é mínima - isso desprezando terremotos e esses desastres naturais que vem acontecendo por aí. Sabe como? Aí você olha em volta e o que sente, depois de tudo, é isso: le-ve-za.

E amanhã você pode acordar bem felizinha, abraçar as pessoas e sorrir margaridinhas pras quem aparecer no caminho. E tudo vai começar a encher encher e encher de novo, até que você precise de um outro dia desses.



quinta-feira, 4 de março de 2010

21.

Hoje é dia quatro. Amanhã estarei a 20 dias de fazer 19 anos. Quando eu tinha 14 anos, quase 15, eu começava a contar os dias uns dois meses antes do meu aniversário. Eu queria muito fazer 15 anos. Foi uma das idades mais legais que eu já tive até hoje. Só não foi mais legal que ter 18.

E agora eu tenho quase 19. E eu não quero fazer 19. Queria ter 18 até uns 30, depois disso eu resolvo minha vida, penso se vou casar ou não, quantos filhos eu vou querer ter, quantos eu vou adotar, se eu vou morar aqui, em São Paulo, no exterior ou sei lá, no Acre. Eu não quero ficar mais velha. Acho que sou muito nova pra isso. De verdade. Minhas pernas ainda tremem quando eu tenho alguma responsabilidade maior.

O dia 25 de março vai chegar, é inevitável. Mas eu não quero ser uma pessoa mais velha. Vou ficar aqui, sem pensar que no ano que vem eu faço 20 anos e depois de 10 anos eu faço 30, que é quando as pessoas começam a se preocupar com a saúde, pensam em parar de beber, cuidar dos rins e do fígado. O tempo vai passar. Ele passou em todos esses quase 19 anos e eu não liguei. Foi muito bom e espero que só melhore daqui pra frente, mas eu queria, juro que queria ficar com 18 anos até quando eu achar que estou pronta pra ficar mais velha.

E no fim das contas, o tempo passa e eu nem percebo. Isso só acontece de 10 em 10 anos, que é quando eu me lembro que há 10 anos atrás eu era fã de Sandy e Jr.

terça-feira, 2 de março de 2010

Mulherzinha.

E aí está você, de novo, num dia mulherzinha. Já mudou de humor umas sete vezes, passou a tarde com um sorriso estampado na cara e tá aí achando que aquilo que te aconteceu só existe pra alegrar seus dias assim, de surpresa. Você ficou tão feliz que resolveu se afundar num milk shake de Ovomaltine sem nem lembrar das calorias e celulites que ele vai te render e sabendo que você não se sentiria culpada mesmo. Fez compras, imaginou coisas, andou pelos seus lugares preferidos, teve conversas agradáveis e descobriu - redescobriu, porque já sabia - que o essencial é invisível aos olhos, que só se vê bem com o coração e que tá tudo lá e aqui e é isso que importa.

Agora eu te vejo transbordar. Transbordar por tudo que poderia ser e não vai, porque você vai ter que se despedir de novo, vai morrer de saudade, sentir falta e se lembrar a cada música, em cada bar, em cada coisa que acontecer. E ainda vai ficar angustiada porque não vai dar pra sair correndo pra contar e seu celular não vai ter crédito pra fazer interurbano.

Vai doer, mas você já passou por isso antes. Já aconteceu diversas vezes e você nem morreu, só tem uns pedaços espalhados por aí. São esses pedaços que te fazem olhar para todas as coisas ao seu redor e se lembrar de toda essa gente que tá longe mas tá ali, presente nos cantos da cidade, nas coisas espalhadas pelo seu quarto, nos bilhetinhos perdidos nas suas bolsas, nas músicas e naquelas lembranças que eventualmente brotam na sua cabeça. E só você sabe como esses pedaços todos te fazem muito mais feliz. Foi você quem escolheu viver dos laços e sabe que sua vida não seria a mesma sem eles espalhados em todos os cantos do quarto, da casa, da cidade, do coração.


domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aeroporto fechado, cagada da Gol e 15h de atraso.

Eu tava muito feliz em vir pra Porto Alegre. Saía de Londrina às seis da manhã, chegava aqui oito e meia. Uma maravilha. Dava pra dormir um monte antes do almoço, dar uma volta de tarde e ainda encher a cara na cidade baixa antes de dormir. E aí eu poderia contar os acontecidos desde quinta-feira. Mas não foi isso que aconteceu.

Acordei as quatro e meia da manhã, coloquei as últimas coisas na mala e fui pro aeroporto. Sabia que o voo não sairia as seis. Tinha chovido a noite toda e ainda não tinha parado, mas achava que até umas nove dava pra sair. E foi uma bela manhã nublada de aeroporto fechado, com direito a notícia no GloboNews e duas mudanças de conexão pra um voo que era direto.

Primeiro chamaram para avisar que teria uma conexão para Curitiba. Saía de Londrina assim que o aeroporto abrisse e vinha de Curitiba Para Porto Alegre as 11:45, hora em que eu estava perambulando pelo aeroporto - que ainda não tinha aberto - com a Ju, que ia pora Nova York. Mudaram de novo a conexão, desta vez pra São Paulo. Cheguei no guichê da Gol e o cara disse: "Marina Dias, você ia pra Porto Alegre?" E aí eu comecei a rir, porque nessa hora eu imaginei que a continuação da frase seria: "Você não vai mais não, vamos te mandar pro...pro Amapá! Tenha uma boa viagem!" Ele só queria dizer que assim que o aeroporto abrisse eu iria pra São Paulo pra pegar um voo que vinha pra cá às 14:50.

Não aconteceu. Minha mãe me levou um pacote de bolachas e um carregador pro celular (ela me ligava de hora em hora, e eu trocava mensagens com os meus irmãos o tempo todo). Comprei uma revista e a sala de embarque ficava cada vez mais cheia. Não tinha nem cadeira sobrando nem parede pra encostar. Uma e quinze da tarde. O aeroporto de Londrina abriu. Só uma palavra descreve o que eu senti naquela hora: emoção. Fiquei e-mo-cio-na-da. Meu voo sairia uma e meia, mas saiu às três e o pessoal da Gol não marcou outra conexão em São Paulo, disse que o pessoal de lá resolvia (empurrou na cara dura o serviço pra galera de São Paulo, que - é lógico - estava sobrecarregada).

Quatro da tarde, São Paulo. Fiquei uma hora pra conseguir que me colocassem em outro voo - devia ter vindo em um que saía de lá às cinco e vinte, mas como o pessoal da Gol de Londrina empurrou o serviço, eu tive que esperar um voo que saía as 18:50 e já estava atrasado. A única coisa boa dessa história foi ver a minha irmã que trabalha perto do aeroporto de Congonhas. Não que dê pra matar saudade em uma hora, mas já é alguma coisa. Quando eu cheguei na sala de embarque, tinham mudado o voo pras 19:10. A aeronave pousaria as 19h em ponto, hora em que a moça do som anunciou que o aeroporto de Congonhas se encontrava fe-cha-do para pouso. Uma puta chuva lá fora, omeu voo pousou em Campinas e já nem dava pra pedir pra minha irmã voltar. Ela devia estar em algum engarrafamento alagado. O aeroporto fechou pra pouso e decolagem, tive vontade de chorar, comprei um cartão telefônico porque já não tinha crédito pra ligar pra números que não fossem da Claro e liguei pro meu cunhado, dizendo que talvez ele tivesse que ir me buscar. Eu não ia aguentar dormir no aeroporto. Já era difícil ficar mais de cinco minutos em pé. Encontrei uma cadeira estofada pra sentar e comecei a escrever um rascunho desse texto. Um gringo com um chapel Panamá, que visívelmente voltava do carnaval perguntou se podia se sentar do meu lado. Charmosíssimo, não fosse estar se lambuzando num cachorro quente nojento. Continuei escrevendo. A mulher do som disse que o aeroporto estava fechado só para pouso, de novo. O gringo disse que não tinha entendido. "Não fala bem portugues, que que rola?" Tá fechado só pra pouso. "Que isso?" Os aviões não conseguem chegar por causa da chuva. "Então tá aberto pra nós?" Só se o avião em que você vai já estiver aí. "Ah, tá. " E terminou de comer o cachorro quente.

Umas oito e meia o aeroporto abriu. Eu já estava quase sem crédito, o celular quase sem bateria. Entrei no avião as nove em ponto, quando minha irmã - que tinha passado o dia todo esperando - me ligou. Fiquei com um centavo de crédito. A essa altura, já tinha conhecido umas pessoas que estavam na mesma situação que eu. Eram duas moças casadas, que eram das redondezas de Londrina e moravam aqui com os maridos. Elas tinham que trabalhar na quinta-feira cedo. Pelo menos eu estava de férias. Nove e meia e o avião ainda não tinha saído. Tinha um moço bonitinho sentado do meu lado - só éramos separados pelo corredor e tinha um lugar vago do lado dele - até que veio a aeromoça e perguntou se ele se importava em dar lugar pra um casal que estava separado. E veio o casal. Era o cara mais chato do mundo. Devia ter chegado ali há, no máximo, umas duas horas e estava reclamando do atraso. Além disso, usava umas sandálias estranhas e lendo um livro em inglês sobre pássaros e explicava tudo pra mulher fazendo questão que o avião todo visse que ele sabia muito do que tava falando.

Quer dizer, fazia quinze horas que eu estava fora de casa, super cansada, meu dia tinha sido um horror, o avião não saía, a Gol me colocou no último banco e tinha um PhD em chatice do meu lado. Eu não ia me surpreender se tivessem me colocado num voo pro Amapá. Enquanto o comandante pedia desculpas pelo atraso, eu já estava surtando, dizendo que se tivesse vindo de Londrina pra Porto Alegre correndo, já tinha chego. Que sinto muito, comandante, mas eu acordei as quatro e meia da manhã, me passaram de um voo pra outro como se fosse um saco de batatas e não tô pra aceitar desculpas agora não. Levanta logo essa merda que eu pretendo estar em Porto Alegre antes da meia noite.

Onze horas e o avião chegou aqui. Minhas malas chegaram antes. Como se tudo não estivesse suficientemente cagado, vi o Flávio do último Big Brother - aquele ruivinho que tinha uma amizade suspeita com o Max - na sala de desembarque, esperando pra ser reconhecido. Minhas malas demoraram pra passar e eu já nem lembrava quais eu tinha trazido. Com quinze horas de atraso, eu cheguei. Minha irmã, meu cunhado e um amigo estavam me esperando. Eu nem acreditava que tinha chego. Pensei umas três vezes em voltar pra Londrina, pedir desculpas pelo furo e ficar lá quieta no meu canto, mas não. Tô aqui e tá legal pra caramba.

Depois eu conto mais.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Da mala.

Deixei tudo pra ultima hora, de novo. E eu acho um saco arrumar as malas. Sempre me sinto culpada por levar um vestido e deixar outro, por querer levar aquele sapato mas ser contrariada pela minha consciência: você sabe muito bem que não vai usar isso.

Primeira etapa: separar as roupas.

É quando eu reviro a bagunça que é o meu armário pra ver o que seria interessante colocar na mala. Depois passo pro armário do lado, depois o do outro quarto - o que tem coisas de todo mundo -, garimpo qualquer coisa do guarda-roupas da mamãe e sigo lá pra baixo, pra caçar as roupas que não têm chance nem de serem guardadas porque eu não consigo esperar nem que elas sejam passadas junto com todas as outras.

E aí vem a consciência examinar todos aqueles montinhos em cima da cama. Segunda etapa.

Camisetas. Marina, sete camisetas brancas além de todas as outras de diversas cores? Não sei se você percebeu, mas três delas são parecidíssimas e ainda precisam ser usadas com regatinhas coloridas por baixo e você vai querer levar umas cinco opções de cores, o que aumenta consideravelmente sua mala. Vamos lá. Vai, você consegue. Duas a menos e tá tudo certo. Existe máquina de lavar na casa da sua irmã, não?

Dois shorts, a calça preta, saia, colete e...cinco vestidos? Pode tirar aquele preto básico que além de ter um tecido grosso e ocupar muito espaço, você coloca e - a não ser que esteja com o humor ótimo - encana que tá justo na bunda. Quatro tá ótimo.

E blusa? Só porque é verão você acha que não vai mesmo fazer frio? Tá, o cardigã de bolinhas. É lindo, mas não é suficiente. Cadê aquela jaqueta verde atoalhada que você usa mais que o cérebro?

Pijama, não esquece. O resto tá tudo certo, agora eu sei que você vai levar mais uma eternidade pra escolher os acessórios e vai ficar louca atrás dos seus brincos - se é que já não conseguiu perder todos eles.

Ainda faltam os sapatos e eu espero sinceramente que você não invente de levar três tênis e quatro sapatilhas de cores diferentes.

Pôxa vida, Marina, eu te falo todo começo de ano que você precisa ser mais organizada e você nunca aprende. Assim fica difícil, viu.
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Tô indo terminar as férias em Porto Alegre.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Bateram na minha porta.

Tinha umas coisas legais pra escrever. Ia desenterar um texto da caderneta, falar sobre bilhetinhos estrategicamente esquecidos e uma daquelas coincidências deliciosas, que parecem acontecer pra mostrar pra gente que "calma, tá tudo bem". (E você nem imagina como eu precisava de uma dessas agora).

E eu nunca liguei pra carnaval. Teve aquela época dos bailes nos clubes, mas eu devia ter uns quatro anos. Gostava mesmo de quando meu tio tinha a chácara que era banhada pela represa. Passava uma semana naquele meio do nada e não me interessava saber das coisas. Carnaval sempre foi um feriado a mais, desses que a gente espera chegar pra matar a saudade de alguém que vem de longe. Desses que a casa fica toda arrumada pra esperar a visita e a cozinha se enche com todas aquelas vozes e abraços. Gosto de quando minha irmã vem, chega bem cedo e eu acordo escutando a voz dela a dois cômodos de distância.

Esqueci o que era pra escrever. Nem ia, tô aqui por pura força do hábito e as circunstâncias não são das melhores. E tava muito legal, sabe? Piscina o dia todo e de noite também, aquele torrão de sempre, uns chopes, a arte de fazer as batidas mais mulherzinha do Brasil sendo aprimorada ao longo do dia, boas risadas e eu não precisava de mais nada. Talvez voltar pra casa de madrugada e tomar um Dorflex, porque este ano eu aprendi que piscina com crianças cansa, causa dores musculares horríveis e rende ótimas pérolas - "Você já percebeu que todo dia chega uma hora que escurece?"

E olha só, não se desespera, tá? Tá tudo bem, mas arrombaram a porta da sua casa, não levaram nada, só a porta mesmo. Tão bonita aquela porta. Toda estraçalhada com um homem sentado do lado quando eu cheguei, às três e tantas da manhã, mais vermelha, andando mais torto e com o cabelo quase verde. Deu vontade de chorar e eu tive a certeza de que chegou a hora de ir pra um lugar mais seguro. Deixar pra trás a cozinha gigante, o quarto que foi meu desde sempre e a possibilidade de dar várias festas no quintal.

Foi uma madrugada horrível, de três ou quatro pesadelos. Acordei cedo pra ver se estava tudo bem, se eu não tinha causado uma discórdia homérica ou perdido meu pai. Não. E o homem continua sentado do lado da porta estraçalhada.
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Não tô pra festa hoje. Bom carnaval pra vocês.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Da balança

Entre outubro e novembro do ano passado eu fiz um esforço e emagreci cinco quilos. Nunca liguei muito pra essas de peso, nunca li informação nutricional de nada e nem tive peso na consciência depois de comer aquele pavê de nozes delicioso que a minha irmã faz. Mas sabe como é, tinha duas irmãs pra casar e apesar de entrar no vestido não ser um problema - ele foi feito sob medida para acomodar todos os meus pneus -, eu não queria ser a irmã-botijão-de-gás das noivas. E também porque meu vestido era muito rosa com renda de flor e laço e fazia com que eu me sentisse um muffin. Todo mundo emagreceu. Minha mãe, meu pai, meu irmão, tios, primos e uma das noivas, porque a outra tem um problemão que é pesar 43 quilos e não conseguir engordar.

Eu tive medo de recuperar todos os cinco quilos no fim do ano. E não seria supreendente se acontecesse. Minha família faz festa todos os dias em fim de ano, tudo muito regado a comidas e bebidas nada leves e muito, muito deliciosas. E também não tem coisa mais difícil de perder e fácil de achar do que uns quilos de banha. Resolvi não encanar com isso, mas com o regimão que eu tinha feito antes, perdi um pouco do apetite. Um pouco que eu comia, já ficava estufada.

As festas começaram dia 22 de dezembro e eu passei a comer pra caramba e encher a cara diariamente. Meu irmão veio cedo desta vez, então tinha muita comida em casa. Passou o Natal, ano novo e um dia antes do casório, eu resolvi provar o vestido. Fazia uns dois dias que eu almoçava tomate por não ter apetite no almoço me arregaçava na janta, de tanta ansiedade. O vestido fechou e eu até achei que sobrou e deu uma empapuçada na frente.

O tempo passou, faz um mês que eu tô em casa dormindo e sem fazer nada no tempo que eu passo acordada. Escrever isso aqui é uma parte inspirada de não fazer nada. (Aliás, foi fazendo nada que eu pensei em uns dois temas pro meu TCC, o terceiro surgiu agora). Tá. E fazer nada dá vontade de comer. Não tenho almoçado direito. Não dá vontade. Deve ser porque eu acordo as 11h. Minha dieta é regada a sorvete e qualquer coisa que tenha na mesa de noite. Um prato de macarrão ou omelete quando a fome aperta e é isso aí. Café da manhã - quando eu acordo a tempo - é um copo de café com leite. E sempre foi assim.

Bom, de novembro pra cá eu engordei. Passou a bomba calórica que foi o fim do ano, passaram meus dias de puro ócio engordando na frente da TV e a balança marca SÓ DOIS QUILOS A MAIS! Sério. Eu jurei que lá pelo dia 10 de janeiro já teria engordado tudo de novo, mas não! Minhas calças ainda estão caindo, minha barriga tá disfarçável e...bom, a bunda continua aqui. Até pensei em comemorar meu feito indo cozinhar alguma coisa beem deliciosa - fiz umas experiências legais a cozinha nessas férias e até consigo me orgulhar dos meus dotes culinários - mas acho que pensando bem, vou sair pra fazer uma caminhada.