segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sem energia.

Mais um dia delicioso de férias. Delicioso e quente. Menos quente que os últimos, mas ainda assim, quente. Como em quase todos os dias dos últimos meses, eu fui dar a minha descansada das quatro e meia da tarde. Sabe como é, existe um bando de pessoas desocupadas no mundo, gente que não faz nada de útil e ainda fica reclamando por aí. Eu sou dessas. Beleza. Deitei, liguei os dois ventiladores do quarto - essa casa é um forno porque uma maldita igreja crente foi construída aqui do lado e impede que o ar entre pelos dois lados da construção, então nenhum ventilador dá conta sozinho -, liguei a tv e aos poucos, adormeci. Os bons apreciadores do ócio sabem do que eu to falando. É uma delícia adormecer aos poucos na frente da tv.
E os ventiladores pararam. A tv também, mas já não fazia falta. Saí apertando os interruptores da casa, pra ver se era isso mesmo e era. Peguei a lista telefônica e fui ligar pra Copel.
Disquei o zeroitocentos deles e uma gravação começou. "Em caso de falta de energia ou situações de risco, disque 1". Um. Aguarde que passaremos a ligação para um dos atendentes. Aguardo. Por determinação da Anatel em não-sei-o-que feito em não-sei-quando, sua ligação será gravada. Pode gravar. É muito perigoso brincar com pipas perto da fiação. Não use materiais metálicos para soltar pipas, você pode levar um choque mortal, você pode pagar sua conta de luz em farmácias ou autorizar o débito automático em sua conta corrente e dois minutos se passaram. Vamos voltar umas linhas ali em cima, quando diz "Em caso de falta de energia ou situações de risco". Oi, situação de risco? Se fosse situação de risco a pessoa já tinha morrido, mas beleza.
A Denise atendeu. Boa tarde, Denise, minha casa tá sem luz. Qual o número da fatura? Oi? Se eu dissesse que toda a fiação da casa tava pegando fogo, ela ia pedir o número da fatura? Denise, eu to derretendo! Fui procurar a fatura, não achei. Ia perguntar pra Denise se tinha como ela me dizer uma coisa bem simples: quando a energia ia voltar na vizinhança. Então, Denise...Denise? Denise sumiu.
Liguei de novo. Aquela enrolação de antes, agora falando sobre chuveiros, inverno, verão e fios derretidos. Dava pra morrer em uma situação de risco. O Júlio atendeu. Boa tarde. Oi Júlio, você está morrendo? Não foi o que eu disse, mas deu vontade. A voz do Júlio era a coisa mais arrastada e desanimadora da história do callcenter. Oi Júlio, boa tarde, minha casa tá sem luz, todos os semáforos da rua estão parados, queria saber se vai demorar pra voltar. Número de identificação da fatura? Já tinha achado a fatura e disse o número. Tá no nome de quem? É você? Como é seu nome? Então, Marina, nós já temos conhecimento do problema e uma equipe de emergência está indo solucionar. Tem previsão de quanto tempo demora? Não. Quer saber mais alguma coisa? Não.
Foram aproximadamente quinze minutos pra obter uma resposta que não me levava a lugar nenhum. E não tinha tv, computador e eu podia ler, mas sem ventilador não tem como. Aí eu peguei a câmera e fui fotografar o quintal:






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A energia voltou, o tempo tá armado e tá cheirando chuva. Se começar o pé d'água, vou lá pra fora me molhar, tô nem ligando pro resfriado que tá querendo aparecer por aqui.

3 comentários:

  1. E´Marina, ligação para call center é sempre um parto..

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Acontece com todo mundo, mas do jeito que contou parece que foi só uma vez e só com você. Adorei! Sara H.

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