terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Seria seu aniversário.

Já fazem quase nove anos. Eu sinto saudade de como você era delicada e meio brava, dos bolinhos de chuva que fazia quando eu ia até sua casa para que você, com a maior paciência do mundo, colocasse os óculos grossos que aumentavam seus olhos e tirasse os meus piolhos conversando com alguma visita.

Saudade do cheiro de madeira com hortelã que tinha na tua casa, das cadeiras brancas, do filtro no cantinho, das plantas e dos tatus-bola no jardim, de ficar sentada do seu lado organizando seu rack de costura enquanto você cerzia qualquer coisa, do pote de balas e daquela lata que colocavam em cima da cadeira para que eu alcançasse a mesa nos almoços de domingo. Saudade do cheiro que tinha sua comida - e depois que a senhora se foi, nunca mais comi doce em compota, raras vezes um milho refogado e voltei a gostar de feijão há pouco tempo.

Eu não sei quantos anos a senhora faria hoje. Acho que revirando os documentos, descobriram duas datas de registro. Mas esses números não importam, vó. Importa mesmo a falta que a senhora me faz. E o jeito como me vem nos pensamentos todos os dias.

1 comentários:

  1. Lindo!
    Sinto falta da minha vó nos detalhes também. Tomar Yakult sentada na mesa da cozinha, ouvir ela chamado meu nome sem o R, roubar melzinho do aparador da sala de jantar... Vó faz falta mesmo.
    Ainda bem que eu ainda posso aproveitar a outra vó, que ainda está viva. :)

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