E a gente se sente igual uma barata tonta, fica sem saber, mas acaba descobrindo. E você só descobre depois de assistir aos filmes mais mulherzinha do mundo, de ouvir a Cat Power cantando que "once I wanted to be the greatest/ no wind or waterfall could stall me/ than came the rush of the flood/ stars of night turned deep dust" e de escutar diversas vezes a voz do Lou Reed em "Who loves the sun?" Você só descobre quando se pega revirando e-mails antigos - aqueles "com estrela" - e lê ali uma palavra que não seria tão ideal pra descrever o que você sente se tivesse aparecido umas lágrimas antes: LEVE.
É que depois de tudo, o que importa é que você ainda existe, que conseguiu se levantar de todos os tombos, que vai pelo menos tentar se lembrar de não repetir a cagada quando olhar pra cicatriz. E veja só, tá tudo ali ainda. A possibilidade de você acordar e tudo ter desaparecido é mínima - isso desprezando terremotos e esses desastres naturais que vem acontecendo por aí. Sabe como? Aí você olha em volta e o que sente, depois de tudo, é isso: le-ve-za.
E amanhã você pode acordar bem felizinha, abraçar as pessoas e sorrir margaridinhas pras quem aparecer no caminho. E tudo vai começar a encher encher e encher de novo, até que você precise de um outro dia desses.

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