terça-feira, 2 de março de 2010

Mulherzinha.

E aí está você, de novo, num dia mulherzinha. Já mudou de humor umas sete vezes, passou a tarde com um sorriso estampado na cara e tá aí achando que aquilo que te aconteceu só existe pra alegrar seus dias assim, de surpresa. Você ficou tão feliz que resolveu se afundar num milk shake de Ovomaltine sem nem lembrar das calorias e celulites que ele vai te render e sabendo que você não se sentiria culpada mesmo. Fez compras, imaginou coisas, andou pelos seus lugares preferidos, teve conversas agradáveis e descobriu - redescobriu, porque já sabia - que o essencial é invisível aos olhos, que só se vê bem com o coração e que tá tudo lá e aqui e é isso que importa.

Agora eu te vejo transbordar. Transbordar por tudo que poderia ser e não vai, porque você vai ter que se despedir de novo, vai morrer de saudade, sentir falta e se lembrar a cada música, em cada bar, em cada coisa que acontecer. E ainda vai ficar angustiada porque não vai dar pra sair correndo pra contar e seu celular não vai ter crédito pra fazer interurbano.

Vai doer, mas você já passou por isso antes. Já aconteceu diversas vezes e você nem morreu, só tem uns pedaços espalhados por aí. São esses pedaços que te fazem olhar para todas as coisas ao seu redor e se lembrar de toda essa gente que tá longe mas tá ali, presente nos cantos da cidade, nas coisas espalhadas pelo seu quarto, nos bilhetinhos perdidos nas suas bolsas, nas músicas e naquelas lembranças que eventualmente brotam na sua cabeça. E só você sabe como esses pedaços todos te fazem muito mais feliz. Foi você quem escolheu viver dos laços e sabe que sua vida não seria a mesma sem eles espalhados em todos os cantos do quarto, da casa, da cidade, do coração.


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