Ela se preocupa com todo mundo, cuida dos irmãos, dos sobrinhos, perde o sono quando alguma coisa acontece, reza diariamente para todo mundo que ela ama. E pro Rafael crismar, parar de fumar e constituir uma família.
Minha avó é incansável. Já perdeu marido, pai, filha e mãe, teve uma criação conservadoríssima e ao longo da vida foi desafiada incontáveis vezes a abrir a cabeça. E conseguiu. Quando uma de suas netas voltou da Espanha, uma das primeiras perguntas foi "E aí, o que você tem pra me ensinar?" Nunca parou de aprender. Não escreve com tanta habilidade, mas lê jornal diariamente e sabe de tudo o que acontece por aí. E discute, debate, tenta entender. Não tem medo nem vergonha de perguntar as coisas. Conversa com várias pessoas, ouve opiniões, faz verdadeiras entrevistas. Não só fica sabendo de tudo como pega coisas no ar, lê as entrelinhas e entende o que acontece em volta. Entende bem.
Ela trabalhou a vida toda. Ainda não parou. Quase teve um treco quando minha prima disse que se ganhasse na loteria, ia parar de trabalhar. Pilotou uma cozinha durante 30 anos e outro dia me confessou que até hoje não entende como não teve nenhum problema de coração passando por tanto aperto. "Era festa que estourava, tinha dia que eu achava que o salpicão não ia dar, aí tinha que correr fazer mais." Não teve ataque nenhum porque a saúde sempre foi boa. Tirando a atrose, ainda é. Ela faz todo o serviço de casa, costura, as vezes vem ajudar a Maria com o almoço, não pode ver uma louça suja e participa de um grupo de senhoras que costuram para alguns hospitais da cidade. E faz hidroginástica. Outro dia, durante um churrasco da na casa dos meus tios, ela sumiu. Fui procurar. Lá estava ela, nos fundos, passando roupa. Mas vó! Tá todo mundo procurando a senhora! Não é hora de passar roupa, vó! Ela riu e respondeu: "Vá, é só um pouquinho! É tão bom trabalhar!" Ela me leva a crer que o segredo da longevidade era a tal da "vontade de trabalhar" que a vó Helena - a mãe dela - desejava pra gente nos aniversários.
Hoje minha avó me perguntou se eu estou animada em fazer 19 anos. Eu disse que não muito, que queria parar nos 18 que já tá bom. Ela não disse nada. As vezes ela não diz, mas pensa. Deve ter rido por dentro. Ela tem quase oitenta e dois.
(E é isso que eu quero de aniversário: ser tão incansável quanto a minha avó, porque é essa palavra que resume tudo que ela é.)
Mas olha que vó é tudo igual mesmo!
ResponderExcluirParabéns pra você e m beijo na sua aó, que é igualzinha à minha! :)
Má!
ResponderExcluirLindo o texto!
Parabéns pelo aniversário e, que venham muitos e muitos outros!
Beijos, da sua irmã!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirQuerida Marina
ResponderExcluirParabéns, felicidades e "mil bênçãos" pelos 19 anos!
Adorei seu texto de hoje, assim como os
demais que tenho lido.
Um grande beijo,
Heleninha
Má...adorei! Nossa vó é demais mesmo...não tem igual! Bj
ResponderExcluirMá...
ResponderExcluirVocê descreveu a vó Gera muito bem, ela é isso mesmo e acredito que ainda vai ser muito mais.
Lindo seu texto!!!!!
Somos privilegiados de te-la como vó!!!!
Beijos Clá!!!
ê Benzinho!!!!
ResponderExcluir